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sexta-feira, 4 de março de 2011

Opinião Evangélica sobre o carnaval


"Porque, se viverdes segundo a carne, morrereis; mas, se pelo Espírito mortificardes as obras do corpo, vivereis"  (Rm 8.13).
A ORIGEM DO CARNAVAL NO BRASIL
O primeiro baile de carnaval realizado no Brasil ocorreu em 22 de janeiro de 1841, na cidade do Rio de Janeiro, no Hotel Itália, localizado no antigo Largo do Rócio, hoje Praça Tiradentes, por iniciativa de seus proprietários, italianos empolgados com o sucesso dos grandes bailes mascarados da Europa. Essa iniciativa agradou tanto que muitos bailes o seguiram. Entretanto, em 1834, o gosto pelas máscaras já era acentuado no país por causa da influência francesa.
Ao contrário do que se imagina, a origem do carnaval brasileiro é totalmente européia, sendo uma herança do entrudo português e das mascaradas italianas. Somente muitos anos depois, no início do século XX, foram acrescentados os elementos africanos, que contribuíram de forma definitiva para o seu desenvolvimento e originalidade.
Nessa época, o carnaval era muito diferente do que temos hoje. Era conhecido como entrudo, festa violenta, na qual as pessoas guerreavam nas ruas, atirando água uma nas outras, através de bisnagas, farinha, pós de todos os tipos, cal, limões, laranjas podres e até mesmo urina. Quando toda esta selvageria tornou-se mais social, começou então a se usar água perfumada, vinagre, vinho ou groselha; mas sempre com a intenção de molhar ou sujar os adversários, ou qualquer passante desavisado. Esta brincadeira perdurou por longos anos, apesar de todos os protestos. Chegou até mesmo a alcançar o período da República. Sua morte definitiva só foi decretada com o surgimento de formas menos hostis e mais civilizados de brincar, tais como confete, a serpentina e lança-perfume. Foi então que o povo trocou as ruas pelos bailes.
POSIÇÃO DA IGREJA EVANGÉLICA NO PERÍODO DO CARNAVAL
Como pudemos observar, o carnaval tem sua origem em rituais pagãos de adoração a deuses falsos. Trata-se por isso, de uma manifestação popular eivada de obras da carne, condenadas claramente pelas Sagradas Escrituras. Seja no Egito, Grécia ou Roma antiga, onde se cultua, respectivamente, os deuses Osíris, Baco ou Saturno, ou hoje em São Paulo, Recife, Porto Alegre ou Rio de Janeiro, sempre notaremos bebedeiras desenfreadas, danças sensuais, música lasciva, nudez, liberdade sexual e falta de compromisso com as autoridades civis e religiosas. Entretanto, não podemos também deixar de abordar os chamados benefícios do carnaval ao país, tais como geração de empregos, entrada de recursos financeiros do exterior através do turismo, aumento das vendas no comércio, entre outros. Traçando o perfil do século XXI, não é possível isentar a igreja evangélica deste momento histórico. Então, qual deve ser a posição do cristão diante do carnaval? Devemos sair de cena para um retiro espiritual, conforme o costume de muitas igrejas, a fim de não sermos participantes com eles (Ef.5.7)? Devemos, por outro lado, ficar aqui e aproveitarmos a oportunidade para a evangelização? Ou isso não vale à pena porque, especialmente neste período, o deus deste século lhes cegou o entendimento (2 Co.4.4)?
Creio que a resposta cabe a cada um. Mas, por outro lado, a personalidade da igreja nasce de princípios estreitamente ligados ao seu propósito: fazer conhecido ao mundo um Deus que, dentre muitos atributos, é Santo.
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Há quem justifique como estratégia evangelística a participação efetiva na festa do carnaval, desfilando com carros alegóricos e blocos evangélicos, o que não deixa de ser uma tremenda associação com a profanação. Pergunta-se, então: será que deveríamos freqüentar boates gays, sessões espíritas e casas de massagem, a fim de conhecer melhor a ação do diabo a investir contra elas? Ou deveríamos traçar estratégias melhores de evangelismo?
No carnaval de hoje, são poucas as diferenças das festas que originaram, continuamos vendo imoralidade, música lasciva, promiscuidade sexual e bebedeiras.
José Carlos Sebe, no livro Carnaval de Carnavais, página 16, descreve, segundo George Dúmezil (estudioso das tradições mitológicas): O Carnaval deve ser considerado sagrado, porque é a negação da rotina diária. Ou seja, é uma oportunidade única para extravasar os desejos da carne, e dentro deste contexto festivo, isto é sagrado, em nada pervertindo. Na página 17, o mesmo autor descreve: Beber era um recurso lógico para a liberação pessoal e coletiva. A alteração da rotina diária exigia que além da variação alimentar também o disfarce acompanhasse as transformações. Observe ainda o que diz Manuel Gutiérez Estéves: No passado, faziam-se nos povoados, mas, sobretudo nas cidades, diversos tipos de reuniões em que todos  os participantes aparentavam algo diferente daquilo que na realidade, eram. A pregação eclesiástica inseriu na mensagem estereotipada do carnaval a combinação extremada da luxúria com a gula. Não falta sem dúvida, fundamento para isto.

Como cristãos, não podemos concordar e muito menos participar de tal comemoração, que vai contra os princípios claros da Palavra de Deus:
"Porque os que segundo a carne inclinam-se para as coisas da carne; mas os que são do espírito para as coisas do espírito (Rm 8.5-8)."
"Porque fostes comprados por bom preço; glorificai, pois, a Deus no vosso corpo, e no vosso espírito, os quais pertencem a Deus (1 Co 6.20)."
EVANGELISMO OU RETIRO ESPIRITUAL?
A maioria das igrejas evangélicas, hoje, tem sua própria opinião quanto ao tipo de atividade que deve ser realizada no período do carnaval. Opinião esta que, em grande parte, apoia-se na teologia que cada um delas prega. Este fato é que normalmente justifica sua posição. A saber: enquanto umas participam de retiros espirituais, outras, no entanto, preferem ficar na cidade durante o carnaval com o objetivo de evangelizar os foliões.
Primeiramente, gostaríamos de destacar que respeitamos as duas posições, pois cremos que os cristãos fazem tudo por amor ao Senhor e com intenção de ganhar almas para Jesus e edificar o corpo de Cristo. (Cl 3.17). Entendemos, também, o propósito dos retiros espirituais: momentos de comunhão com o Senhor que tem feito grandes coisas em nossas vidas. Muitos crentes têm sido edificados pela pregação da Palavra e atuação do Espírito Santo nos acampamentos promovidos pelas igrejas. Toda via,  a visão de aproveitarmos o carnaval para testemunhar é pouco difundida em nosso meio. Na Série Lausanne, encontra-se uma descrição sobre a necessidade da igreja ser flexível. A consideração é feita da seguinte forma: o processo de procura de novas estruturas nos levará, seguidamente, a um exame mais íntimo do padrão bíblico e a descoberta de que um retorno ao modelo das Escrituras e sua adaptação aos tempos atuais é básico á renovação e a missão.
Entendemos, com isso, que, em meio á pressão provocada pelo mundo, à igreja deve buscar estratégias adequadas para posicionar-se á estas mudanças dentro da Palavra de Deus, e não dentro de movimentos contrários a ela. A Bíblia é a fonte, e não os fatores externos.

Cristãos de todos os lugares do Brasil possuem opiniões diferentes a respeito da maneira adequada para a evangelização no período do carnaval. Mas devemos notar que Cristo nunca perdeu uma oportunidade para pregar, nem mesmo fugia das interrogações ou situações religiosas da época. Não podemos deixar de olhar o que está escrito na Bíblia:
" Prega a palavra, insta, quer seja oportuno, quer não, corrige, repreende, exorta com toda a longanimidade e doutrina"  (2 Tm 4.2).

Aqui o apóstolo Paulo exorta a Timóteo a pregar a Palavra em qualquer situação, seja boa ou má. A Palavra deve ser anunciada.

A igreja jamais pode ser omissa quanto a esse assunto. O cristão deve ser sábio ao tomar sua decisão, sabendo que:
" Em que noutro tempo andaste segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe das potestades do ar, do espírito que agora opera nos filhos da desobediência. Entre os quais todos nós andávamos nos desejos da carne e dos pensamentos; e éramos por natureza filhos da ira, como os outros também. Mas Deus, que é riquíssimo em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou, estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo(pela graça sois salvos), e nos ressuscitou juntamente com ele e nos fez assentar nos lugares celestiais, em Cristo Jesus"  (Ef 2.2-6).
Estudo Compilado Recebido por Email
Fonte: www.estudosgospel.com.br

domingo, 30 de janeiro de 2011

Para onde vai o pecador quando morre?

A Palavra de Deus ensina que existe um lugar de tormento no mundo invisível, um lugar terrível e assustador onde arde continuamente fogo e onde há pranto e ranger de dentes e no qual descem as almas dos pecadores que não se arrependeram dos seus pecados e não creram no Evangelho da graça de Deus. Este lugar se chama lugar dos mortos - em Grego: Hades, enquanto em Hebraico: Sheol - e é mencionado muitas vezes nas Escrituras. Antes de passar a demonstrar-vos pelas Escrituras a existência deste lugar quero fazer esta premissa. Antes de tudo tem que se dizer que a palavra hebraica Sheol significa também ‘sepultura’ e que a mesma coisa tem que ser dita para a correspondente palavra grega Hades. Isto explica o porquê de nas traduções da Bíblia a palavra Sheol (Hades em grego) algumas vezes foi traduzida sepultura ou túmulo. J.F.Almeida por exemplo a traduziu com sepultura nestes versículos: "E não permitas que suas cãs desçam à sepultura (Sheol) em paz" (1 Re 2:6); "Tal como a nuvem se desfaz e passa, aquele que desce à sepultura (Sheol) nunca tornará a subir (Jó 7:9); "Porque não pode louvar-te a sepultura (Sheol)" (Is. 38:18). Digo algumas vezes e não todas, porque esta palavra indica também a morada das almas entre a morte e a ressurreição, e de facto outras vezes foi traduzida inferno ou lugar dos mortos (porém entenda-se este último não como túmulo). J.F.Almeida por exemplo em diversos lugares do Antigo Testamento traduziu Sheol com inferno (cfr. Sal. 9:17; Jó 26:6; Prov. 9:18), e assim também traduziu Hades com inferno - excepto algumas vezes - no Novo Testamento  (cfr. Mat. 11:23; 16:18 Lucas 10:15; Ap. 1:18. Em Actos 2:27 e 2:31 J.F. Almeida optou por manter a palavra grega Hades no lugar de inferno). Outras versões e outros tradutores, no Antigo Testamento no lugar de inferno colocaram Sheol ou lugar dos mortos, enquanto no Novo Testamento no lugar de inferno deixaram a palavra grega Hades. (Confronta várias versões e traduções da bíblia das supracitadas passagens). De qualquer modo, seja inferno como lugar dos mortos indicam o mesmo lugar. É bom precisar pois que a palavra inferno - que nós nunca encontramos no Velho Testamento na versão revista e actualizada de J.F. Almeida - deriva da palavra latina infernus que significa ‘lugar que está debaixo, inferior’. Alguém dirá: ‘Mas porque motivo esta palavra não foi traduzida sempre da mesma maneira?’ Porque o contexto em tais casos não o permitia. Em outras palavras a mesma palavra tem um significado diferente em contextos diferentes. Quando Sheol ou Hades indicam o lugar invisível para onde descem as almas dos mortos e não a sepultura onde é posto apenas o corpo deduz-se do contexto. Um exemplo é o de Isaías quando diz: "O inferno desde o profundo se turbou por ti, para te sair ao encontro na tua vinda; despertou por ti os mortos, e todos os príncipes da terra, e fez levantar dos seus tronos todos os reis das nações. Estes todos responderão, e te dirão: Tu também adoeceste como nós, e foste semelhante a nós" (Is. 14:9-10). Aqui a palavra Sheol foi traduzida inferno por J.F. Almeida (Outras versões colocam Sheol ou lugar dos mortos) porque não significa sepultura terrena de facto o texto fala de pessoas que moram no Sheol as quais na vinda ou descida do rei de Babilónia ao Sheol lhe dirigem determinadas palavras. Fizemos este discurso para demonstrar que aqueles que negam que Sheol (e a correspondente palavra grega Hades) significa também o lugar de tormento para onde vão os pecadores à espera da ressurreição, erram.

Agora, depois de ter feito estas necessárias explicações passaremos a demonstrar pelas Escrituras que este lugar de tormento no mundo invisível (o Sheol ou Hades) existe; onde ele se encontra e que aspecto tem e como para lá descem as almas dos pecadores.

Ÿ Está escrito: "Ora, havia um homem rico, e vestia-se de púrpura e de linho finíssimo, e vivia todos os dias regalada e esplendidamente. Havia também um certo mendigo, chamado Lázaro, que jazia  cheio de chagas à porta daquele; e desejava alimentar-se com as migalhas que caíam da mesa do rico; e os próprios cães vinham lamber-lhe as chagas. e aconteceu que o mendigo morreu, e foi levado pelos anjos para o seio de Abraão; e morreu também o rico, e foi sepultado. E no Ades, ergueu os olhos, estando em tormentos, e viu ao longe Abraão, e Lázaro no seu seio. E, clamando, disse: Pai Abraão, tem misericórdia de mim, e manda a Lázaro, que molhe na água a ponta do dedo e me refresque a língua, porque estou atormentado nesta chama. Disse, porém, Abraão: Filho, lembra-te de que recebeste os teus bens em tua vida, e Lázaro somente males; e agora este é consolado e tu atormentado. E, além disso, está posto um grande abismo entre nós e vós, de sorte que os que quisessem passar daqui para vós não poderiam, nem tampouco os de lá passar para cá. E disse ele: Rogo-te pois, ó pai, que o mandes à casa de meu pai, pois tenho cinco irmãos; para que lhes dê testemunho, a fim de que não venham também para este lugar de tormento. Disse-lhe Abraão: Têm Moisés e os profetas; ouçam-nos. E disse ele: Não! pai Abraão; mas, se algum dos mortos fosse ter com eles arrepender-se-iam. Porém Abraão lhe disse: Se não ouvem a Moisés e aos profetas, tampouco acreditarão, ainda que algum dos mortos ressuscite" (Lucas 16:19-31).

Foi o nosso Senhor Jesus Cristo a contar esta história que realmente aconteceu. Esta história ensina que com a morte não acaba tudo, mas que existe uma vida ultraterrena e que a alma do pecador continua a viver num mundo invisível depois que ele morre. É claro que a nossa alma nós não a vemos, mas sabemos que ela mora neste nosso corpo de carne e osso; e como não podemos negar a existência da alma somente porque não a vemos com os nossos olhos, assim não podemos negar a existência do Hades só porque não o vemos ou nunca o vimos. O facto é que enquanto a alma se encontra no nosso corpo, o Hades se encontra nas covas da terra a uma grande profundidade; é um lugar real segundo a Palavra de Deus, onde a alma do pecador, depois de ter saído do seu corpo, vai estar à espera do juízo. Em outras palavras enquanto o pecador vive sobre a terra a sua alma goza dos prazeres da vida e se deleita em fazer o mal movendo-se livremente num corpo humano, mas quando o corpo que a alberga temporariamente se desfaz, ela parte e vai para o Hades onde será atormentada pelo fogo deste lugar e onde não poderá mais de algum modo divertir-se. A história deste rico diz-nos que este rico vivia todos os dias regalada e esplendidamente enquanto estava na terra e que ele, quando morreu, foi sepultado, mas se achou num lugar de tormento, justamente o Hades. Foi o seu corpo a ser sepultado e não a sua alma, porque a alma do homem não pode ser agarrada pela mão de nenhum homem para ser posta num caixão e depois numa cova. É o corpo que torna ao pó segundo o que disse Deus a Adão: "És pó, e em pó te tornarás" (Gen. 3:19), e não a alma porque ela não é feita de um material dissolúvel. Jesus um dia disse que nós não devemos temer aqueles "que matam o corpo, e não podem matar a alma" (Mat. 10:28), significando assim que a alma do homem não pode ser nem morta e nem tomada por um outro homem, à diferença do seu corpo. Como se pode ler nesta história, este homem que tinha gozado a vida na terra, quando se encontrou no Hades podia ainda falar, recordar, e segundo o que ele disse a Abraão poderia ser também refrescado com água na chama onde se encontrava. Mas água não há no Hades, dela para aqueles que estão no fogo do Hades há só a sua memória. Ora, nós não podemos compreender como a alma de um homem possa continuamente arder (sem minimamente se consumir) no meio do fogo e chorar e ranger os dentes, mas isto não nos impede de modo algum de crer que as coisas são mesmo assim. Se nós devessemos crer nas coisas de que fala a Escritura só quando as compreendemos, acabariamos por não crer em mais nada daquilo que nos diz a Escritura, a começar pela existência de Deus, mas graças sejam dadas a Deus em Cristo Jesus pela fé que nos deu mediante a qual nós aceitamos tudo o que a Palavra de Deus nos ensina sem pô-la minimamente em discussão. Assim, nós não pomos em dúvida nada desta história contada por Jesus porque tudo o que diz respeito a esta história é verdade. Como disse antes, este homem, sem um corpo podia ainda falar e recordar; mas não só, ele podia também dar sugestões de facto convidou Abraão a mandar a Lázaro molhar a ponta do dedo na água para refrescar-lhe a língua queimada pelo calor da chama ardente, mas ele ouviu Abraão responder que isso não era possível. Abraão lhe disse para se lembrar que ele tinha recebido os seus bens na sua vida, e depois lhe disse que havia um grande abismo entre aquele lugar de tormento onde ele se encontrava e o lugar de conforto onde, pelo contrário, se encontrava ele com Lázaro (o seio de Abraão), abismo que impedia aos que se encontravam neste último lugar de ir socorrer os que estavam em tormento no Hades. Nenhuma piedade foi mostrada para com aquele homem; como ele se tinha mostrado impiedoso durante a sua vida terrena assim Deus se mostrou impiedoso para com ele depois que ele morreu. Nisto vemos a manifestação da justiça de Deus. Ele, também debaixo do Antigo Pacto, não deixava impunes os que recusavam dar ouvidos à lei de Moisés e aos profetas.

Quando aquele homem ouviu Abraão responder-lhe daquela maneira, se preocupou com os seus cinco irmãos que estavam ainda vivos na terra, de facto propôs a Abraão de enviar Lázaro a casa de seu pai para avisar os seus cinco irmãos da existência deste lugar de tormento e do facto de ele já lá se encontrar. Ele pensava que desta maneira eles se arrependeriam ao ouvir Lázaro e não desceriam assim também eles para lá. Mas também neste caso a resposta de Abraão não foi a que ele esperava, porque o patriarca lhe fez claramente compreender que os seus irmãos tinham Moisés e os profetas e que eles deviam ouvi-los para não ir para ali com ele quando morressem. A resposta de Abraão porém não satisfez aquele homem porque ele fez perceber a Abraão que segundo ele seria mais eficaz o testemunho de Lázaro se este ressuscitasse e fosse ter com os seus irmãos, do que o de Moisés e dos profetas. Não foi porém do mesmo parecer Abraão, de facto ele lhe disse que se os seus irmãos não queriam ouvir Moisés e os profetas, não se deixariam persuadir a abandonar os seus maus caminhos, tampouco pelo testemunho de um morto regressado à vida. (Notai que o rico acreditava depois de morto que Lázaro pudesse voltar vivo à  terra e falar aos seus irmãos, que não pediu a Abraão para lhe conceder voltar à terra e que Abraão respondendo confirmou que Lázaro estava morto) Palavras fortes estas, que mostram como aqueles que não crêem no testemunho que Deus dá acerca do Hades e dos seus tormentos (testemunho escrito nas sagradas Escrituras), não crerão tampouco no de um morto que depois de tê-lo visto volta à vida e fala da sua existência e dos tormentos que padecem os que lá se encontram.

Esta é a verdade irmãos, alguns não acreditariam na existência do inferno e não se arrependeriam dos seus pecados nem sequer se um dos seus parentes mortos ressuscitasse por vontade de Deus e lhes contasse o que viu naquele lugar. Nós, de qualquer modo somos chamados a advertir os homens da existência deste lugar de tormento, porque Deus o fez com a sua Palavra. Se Deus não tivesse querido que os homens soubessem o que os espera se não se arrependem e não crêem nele fazendo obras dignas de arrependimento não teria feito pôr por escrito assim tantas claras referências sobre o Hades e sobre o lago ardente de fogo e enxofre que é o lugar final onde serão lançados os ímpios.

Mas vejamos outras Escrituras que confirmam a existência do Sheol (ou inferno) e que ele se encontra sob a terra a uma grande profundidade e que para lá descem os ímpios quando morrem.

Ÿ Nos salmos está escrito: "Os ímpios irão para o Sheol, sim, todas as nações que se esquecem de Deus" (Sal. 9:17), e a propósito da sorte dos que confiam nos seus grandes haveres e se gloriam da grandeza das suas riquezas está escrito: "Como ovelhas são arrebanhados ao Sheol; a morte os pastoreia" (Sal. 49:14).

Ÿ Jó, falando dos ímpios, disse: "Na prosperidade passam os seus dias, e num momento descem ao Sheol" (Jó 21:13).

Ÿ Isaías, falando da sorte daqueles que em Sião não olhavam para a obra do Senhor, mas se embriagavam de vinho e de bebidas alcoólicas disse: "Por isso o Sheol aumentou o seu apetite, e abriu a sua boca desmesuradamente; e para lá descem a glória deles, a sua multidão, a sua pompa, e os que entre eles se exultam" (Is. 5:14). Ainda Isaías, no oráculo contra o rei da Babilónia, disse a Israel: "Proferirás esta parábola contra o rei de Babilônia, e dirás:.. O Sheol [ou inferno] desde o profundo se turbou por ti, para te sair ao encontro na tua vinda. Já foi derribada no Sheol [ou inferno] a tua soberba com o som dos teus alaúdes" (Is. 14:4,9,11).

Ÿ Deus por meio de Ezequiel predisse o que faria a Tiro com estas palavras: "Então te farei descer com os que descem à cova, ao povo antigo, e te deitarei nas mais baixas partes da terra, em lugares desertos antigos, com os que descem à cova..." (Ez. 26:20).

Ÿ Jesus quando repreendeu Cafarnaum lhe disse: "E tu, Cafarnaum, porventura serás elevada até o céu? Não, até o inferno descerás" (Mat. 11:23). Quando ele anunciou que estaria no lugar dos mortos por três dias e três noites disse: "Como Jonas esteve três dias e três noites no ventre da baleia, assim estará o Filho do homem três dias e três noites no seio da terra" (Mat. 12:40); e nós sabemos de facto que a alma de Jesus Cristo, quando ele morreu, desceu ao Hades de onde Deus a tornou a trazer quando o ressuscitou dos mortos ao terceiro dia, conforme está escrito: "Não deixarás a minha alma no Hades" (Actos 2:27).

Como podeis ver por todas estas Escrituras se deduz claramente que o sheol (ou o inferno) é um lugar que se encontra nas profundezas da terra, ou como disse Jesus: "No seio da terra", e que para lá vão os pecadores que recusam ouvir a voz de Deus.

Mas a Escritura diz-nos também o aspecto que tem o lugar dos mortos:

Ÿ Jó o definiu assim: "Terra da escuridão e da sombra da morte; terra escuríssima, como a mesma escuridão, terra da sombra da morte e sem ordem alguma, e onde a luz é como a escuridão" (Jó 10:21-22).

Ÿ Bildade o suíta, falando da sorte do ímpio disse: "Da luz o lançarão nas trevas" (Jó 18:18).

Ÿ Zofar o naamatita diz do ímpio: "Um fogo não atiçado pelo homem o consumirá" (Jó 20:26). A propósito destas últimas palavras elas são claramente confirmadas pelas palavras que aquele homem que estava no Hades dirigiu a Abraão: "Estou atormentado nesta chama" (Lucas 16:24). O fogo que há no Hades não é um fogo atiçado por um homem, mas por Deus, e por isso não se pode apagar de alguma maneira.

O Hades não é mesmo um lugar agradável de estar; alguns fazem zombaria dele como se ir para lá viver significasse ir passar umas agradáveis férias, mas vos asseguro que ele é um lugar assustador e horrível cuja memória está viva e nunca desaparece naqueles que o viram porque Deus lhes concedeu vê-lo.

Sim, porque Deus também nesta geração permitiu a alguns homens e mulheres ver de perto o Hades. Eles depois que voltaram à vida procuraram explicar o melhor possível para fazer perceber os horrores vistos naquele lugar: ainda hoje reconhecem que as melhores palavras que eles podem usar para descrever o Hades que eles, pela graça de Deus, viram, são as da sagrada Escritura. Não há melhores palavras para descrevê-lo do que as que estão escritas na Palavra de Deus.


O testemunho de um homem que morreu nos seus pecados e que regressou à vida

Kenneth Hagin conta: ‘Ao fim da tarde, o meu coração parou de bater e o homem espiritual que vivia no meu corpo me abandonou’. Quando a morte se apoderou de mim, a avó, o meu irmão menor e a minha mãe acorreram a casa e tive só tempo de lhes dizer ‘adeus’ porque o homem interior deslizou para fora, deixando o meu corpo morto, os olhos fixos e a carne gelada. Desci, desci, desci, até ao ponto que vi as luzes da terra desaparecer. Não é exacto dizer que desmaiei, nem tampouco que estivesse em coma; posso provar que clinicamente estava morto. Os olhos estavam fixos, o coração tinha parado de bater e o pulso estava firme. As Escrituras falam do ‘servo inútil lançado nas trevas exteriores, onde há pranto e ranger de dentes’ (Matteo 25:30). Quanto mais descia mais se fazia escuro, até que fiquei na escuridão mais absoluta: não via a minha mão a um palmo dos olhos. Quanto mais andava para baixo mais calor sentia à minha volta, a atmosfera se fazia sufocante. Finalmente por debaixo de mim passavam luzes contorcidas, refletidas nas paredes das cavernas onde estavam os condenados, causadas pelo fogo infernal. A imensa esfera flamejante, de brancos contornos, me arrastava e me atraia como o íman atrai o metal. NÃO QUERIA IR! Não caminhava, era o meu espírito que se comportava como o metal na presença de um íman. Não podia tirar os olhos da esfera, sentia o calor no rosto. Passaram muitos anos, mas consigo rever a cena com a mesma nitidez de então. A recordação é tão límpida, que tudo isso me parece que aconteceu na noite passada. Agora vós me direis: ‘Como são estas portas do inferno?’ Não poderei descrevê-las, porque para o fazer, teria que ter um termo de comparação, como alguém que, não tendo visto uma árvore, não pode descrever como é feita, porque não tem nada ao que a comparar. Parei no átrio, mas foi uma paragem momentânea: não queria entrar! Percebi que mais um passo, mais uns poucos metros e acabaria para sempre, não poderia mais sair daquele horrível lugar. Quando estava no ponto de alcançar o fundo do abismo, um outro espírito me ladeou: não me voltei para vê-lo, porque não conseguia desviar o olhar das chamas do inferno. Aquela criatura infernal tinha pousado entretanto uma mão sobre o meu braço, para me acompanhar dentro: naquele preciso instante ouvi uma voz que dominava as trevas, a terra e os céus: era a voz de Deus. Não O vi e não sei o que disse porque não falou em inglês, mas numa outra língua e quando o fez, a parte onde estavam os condenados foi atravessada por uma forte luz e se agitou como uma folha ao vento. Tal brilho obrigou aquele espírito que me estava próximo a largar-me o braço. Não fui tomado pelo vórtice, mas uma força invisível me tirou do fogo, longe do calor, e viajei outra vez sobre as sombras da densa escuridão ao contrário. Comecei a subida até à saida do abismo e por fim vi as luzes terrestres. Voltei ao meu quarto, como se dele tivesse saído apenas por um instante através da porta, com a única diferença que o meu espírito não necessitava de portas. Deslizei para o meu corpo como alguém que enfia as calças de manhã, através da boca, do mesmo modo em que pouco antes tinha saído. Comecei a falar com a avó, a qual exclamou: ‘Filho, pensava que tu estivesses morto!’ o meu bisavô era médico e ela o ajudava. Mais tarde disse-me: ’Vesti muitos cadáveres nos meus tempos, tive bastantes experiências com casos análogos, mas aprendi muito com o que tem a ver contigo, do que quanto tenha aprendido antes: tu morreste por paragem cardíaca e tinhas os olhos fixos’. ‘Avó’, respondi, ‘não tinha ainda chegado o momento, mas desta vez sinto que é verdadeiramente o fim: estou morrendo! Onde está a mamã?. ‘Tua mãe está lá fora na varanda’, replicou, e de facto a ouvia orar caminhando para cima e para baixo’. Onde está o meu irmão?’ perguntei. ‘Foi chamar o médico à porta ao lado’. ‘Avó, queria me despedir da mamã, mas não quero que tu me deixes só, lhe falarás tu’ disse, e lhe deixei uma mensagem para a minha mãe. Depois continuei: ‘Avó, estimo-te muito; quando a mamã adoeceu, tu foste para mim como uma segunda mãe. Agora daqui me vou e desta vez não voltarei mais para trás’. Sabia que estava morrendo e não estava pronto para encontrar Deus. O meu coração parou novamente no tórax e, pela segunda vez, o meu espírito deixou o corpo recomeçando a descida no escuro, até que as luzes terrestres se desvaneceram completamente. Chegado ao fundo, me tocou a mesma experiência: Deus falou do céu e mais uma vez o meu espírito saiu daquele lugar, voltou ao quarto e deslizou para a cama onde o meu corpo jazia morto. Novamente comecei a falar com a avó e ainda lhe disse: ‘Não voltarei desta vez, avó!’ E acrescentei algumas palavras para dizer aos familiares e, pela terceira vez saí do meu corpo e comecei a descer. Quereria ter palavras apropriadas para descrever os horrores do inferno e fazer compreender àqueles homens tão satisfeitos de si mesmos e sem cuidarem de como conduzem a própria existência sem se preocupar com o depois, que há uma vida futura ultraterrena; isso me o ensina a Palavra de Deus e a minha experiência pessoal. Sei o que significa perder os sentidos: parece-te tudo escuro, tudo obscuro, mas não há escuridão que possa ser comparada à noite interior. Quando comecei a descer pela terceira vez, o meu espírito exclamou com um berro: ‘Deus, eu pertenço à igreja, sou também batizado na água’. Esperei d`Ele uma resposta, que não chegou’. Ouvi somente a minha própria voz que voltava a ecoar fortemente, como a rodear-me. É necessário muito mais que a simples pertença a uma igreja e um batismo na água para evitar as penas do inferno e ganhar o céu! Jesus disse: "...Necessário vos é nascer de novo" (João 3:7). Eu creio certamente no batismo na água, mas somente depois de um indivíduo ter sido gerado de novo. Certo, eu creio na comunidade eclesiástica, nos grupos de cristãos unidos para trabalhar em nome de Deus. Mas se estiverdes somente unidos à Igreja e tiverdes sido somente batizados sem porém terdes realmente nascido uma segunda vez, ireis ao inferno. Como saí uma terceira vez do abismo e reentrei no meu corpo, o meu espírito começou a orar; me achei a continuar a oração em voz tão alta que toda a vizinhança me ouviu. As pessoas acorriam a minha casa para ver o que estava acontecendo; olhei para o relógio e vi que eram precisamente 19:40 era a hora do meu renascimento graças à providência divina, pela intercessão da minha mãe. A minha oração não estava ligada ao facto de eu ser batizado ou de pertencer à igreja, mas, implorando a Deus, lhe pedi de ter piedade de mim pecador, de me perdoar pelos meus pecados, de me purificar de toda a iniquidade; O aceitava, O reconhecia como meu Salvador pessoal. Me senti tão bem, como se um fardo pesado tivesse me saído das costas’ (Kenneth E. Hagin, Io credo nelle visioni, Aversa 1987, pag. 3-6). Tudo isto aconteceu a Hagin em abril de 1933, na idade de cerca de dezasseis anos, na cidade de Mackinney, no Texas (U.S.A).

Considerei transcrever o testemunho de Hagin, apesar de o irmão Hagin se ter posto a seguir, após diversos anos de ministério, a pregar também ele a mensagem da prosperidade e a fazer afirmações que não estão em harmonia com o ensinamento da Escritura, coisa que naturalmente não tem redondado para sua honra e nem tampouco para a glória de Deus. Considero de facto que as suas experiências como morto acima citadas não foram minimamente invalidadas, porque são experiências reais por ele vividas e confirmadas amplamente pela Escritura.

Conclusão

Irmãos no Senhor, concluo dizendo-vos: alegrai-vos e exultai grandemente porque Cristo Jesus na sua misericórdia vos salvou das chamas do inferno, dos tormentos indizíveis que lá se sofrem por causa das próprias iniquidades; mas adverti também os pecadores sobre este terrível lugar de tormento exortando-os a se arrependerem e a crer em Jesus Cristo, doutra forma quando morrerem para lá descerão.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

O pecado para morte

Em que coisa consiste e a impossibilidade de arrependimento dele

O apóstolo João escreveu: "Se alguém vir pecar seu irmão pecado que não é para morte, orará, e Deus dará a vida àqueles que não pecarem para morte. Há pecado para morte, e por esse não digo que ore. Toda a iniquidade é pecado, e há pecado, que não é para morte " (1 João 5:16,17).

Irmãos, toda a iniquidade é pecado, e nós sabemos que "o pecado é a violação da lei" (1 João 3:4), como diz o mesmo João. Ora, a Escritura testifica que "o salário do pecado é a morte" (Rom. 6:23), portanto, deve ser bem claro que quando é também um filho de Deus a pecar a recompensa que a violação da lei lhe dá é a morte; e de facto, é precisamente por esta razão que o crente, se peca, depois que pecou fica perturbado, descontente e sente uma dor interior que o traspassa como uma flecha, exactamente porque "o salário do pecado é a morte" (Rom. 6:23). Mas o apóstolo escreveu: "Se alguém vir pecar seu irmão pecado que não é para morte, orará, e Deus dará a vida àqueles que não pecaram para morte" (1João 5:16); isso significa que se nós virmos um irmão cometer um pecado que não é para morte, devemos orar a Deus para que ele seja vivificado, sim, porque Deus dá a vida ao crente que comete um pecado que não é para morte e se arrepende do seu pecado confessando-o e abandonando-o. Há um pecado porém que se um crente comete é impossível de novo levá-lo a arrependimento e por isso é inútil orar por ele, de facto João diz: "Por esse não digo que ore" (1João 5:16); em outras palavras, para aquele irmão que comete este pecado que é para morte não há mais a possibilidade de se arrepender e de obter vida de Deus. Que fim espera este crente? O crente que comete este pecado para morte é condenado à segunda morte, isto é, ao lago ardente de fogo e enxofre e isso porque este pecado conduz, quem o comete, à segunda morte.

Ora, como toda a iniquidade é pecado e pecados existem de muitos géneros é necessário acertar com as Escrituras em que consiste este pecado que é para morte, e isto também para evitar que algum de nós comece a condenar um irmão por um qualquer pecado que o viu cometer dizendo-lhe que cometeu o pecado que é para morte e que para ele não há mais esperança. É necessário manejar bem a palavra da verdade também ao falar do pecado que é para morte para evitar transtornar o ânimo dos discípulos e de induzi-los à desesperança com palavras que não se podem aplicar a eles porque não cometeram o pecado que é para a morte. Ora, vejamos o que é dito a propósito deste pecado na epístola aos Hebreus para perceber no que é que ele consiste.

Está escrito: "Porque é impossível que os que já uma vez foram iluminados, e provaram o dom celestial, e se fizeram participantes do Espírito Santo, e provaram a boa palavra de Deus, e as virtudes do século futuro, e recaíram, sejam outra vez renovados para arrependimento; pois assim, quanto a eles, de novo crucificam o Filho de Deus, e o expõem ao vitupério. Porque a terra que embebe a chuva, que muitas vezes cai sobre ela, e produz erva proveitosa para aqueles por quem é lavrada, recebe a benção de Deus; mas a que produz espinhos e abrolhos, é reprovada, e perto está da maldição; o seu fim é ser queimada" (Heb. 6:4-8). Antes de tudo vejamos de perto as características daqueles que se recairem é impossível que sejam outra vez renovados para arrependimento porque elas são características que podem ter e têm só os verdadeiros filhos de Deus lavados dos seus pecados com o sangue do Cordeiro. Digo isto porque alguns fazem passar esta recaida como uma recaida que cometem pessoas que ainda não tinham aceitado completamente a Palavra de Deus ou que se estavam aproximando do Senhor, o que não é de modo nenhum verdade porque aqueles de quem o escritor fala aos Hebreus nestes versículos são  verdadeiros crentes.

Irmãos, quem, depois de ter ouvido o Evangelho da graça se aproximou de Deus reconhecendo-se pecador e necessitado de ser salvo foi iluminado por Deus que é luz; e quando ele creu com o seu coração em nosso Senhor Jesus Cristo obtendo a remissão dos seus pecados e a vida eterna ele provou o dom celestial que é Cristo Jesus porque está escrito: "O dom gratuito de Deus é a vida eterna" (Rom. 6:23) e porque João, falando do Filho de Deus, diz: "Este é .. a vida eterna" (1João 5:20); e quando ele é batizado com o Espírito Santo é feito participante do Espírito Santo. Ter provado a boa Palavra de Deus significa ter-se alimentado não só do "puro leite espiritual" (1 Ped. 2:2) mas também do alimento sólido que é para adultos; e ter provado "as virtudes do século futuro" (Heb. 6:5) significa ter recebido os dons do Espírito Santo. Ora, se, quem experimentou todas estas coisas rejeita o Senhor, e recua (deixando-se envolver e vencer pelas contaminações do mundo), tomando a decisão de não querer mais seguir o Senhor e de renunciar a Cristo e de não querer mais ouvir falar dele, esse tal comete o pecado que é para morte e por esse tal não se deve orar porque é impossível que seja outra vez renovado para arrependimento porque crucifica por sua conta de novo o Filho de Deus e o expõe ao vitupério. O escritor desta epístola diz que a terra que é regada por Deus e produz erva proveitosa para aqueles por quem é lavrada é abençoada por Deus, mas se produz espinhos e abrolhos é reprovada e maldita e o fim que a espera é ser queimada; assim é com o crente, porque se ele está no Senhor o Senhor está nele, ele dá muito fruto para a glória de Deus e Deus o abençoa; mas se ele deixa de estar no Senhor, o Senhor deixará de estar nele e ele produzirá só espinhos e abrolhos, tornando-se um homem reprovado quanto à fé, um filho da maldição que no fim será lançado no lago ardente de fogo e enxofre para ser queimado e atormentado pela eternidade.

A razão pela qual o escritor desta epístola escreveu estas coisas aos Hebreus que tinham crido em nosso Senhor Jesus Cristo é a seguinte: estes crentes estavam suportando uma grande perseguição por causa da sua fé em Jesus Cristo e eram tentados, no meio da perseguição, a recuar e o Escritor, que  conhecia tanto eles como os sofrimentos que eles tinham que suportar por causa do Evangelho, os exortou a reter firme até ao fim a sua confiança em Cristo e os alertou que o recuar e o renunciar à graça para voltar a oferecer aqueles sacrificios pelo pecado cujo sangue não podia cancelar os pecados, porque se o fizessem se condenariam a eles mesmos à eterna perdição porque pisariam o Filho de Deus e teriam por profano o sangue do concerto com o qual tinham sido santificados, e ultrajariam o Espírito da graça. Ele falou da sorte que cabe a quem recua e do castigo que este é digno de receber do Deus vivo nestes termos: "Porque, se pecarmos voluntariamente, depois de termos recebido o conhecimento da verdade, já não resta mais sacrifício pelos pecados, mas uma certa expectação horrível de juízo, e ardor de fogo, que há de devorar os adversários. Quebrantando alguém a lei de Moisés, morre sem misericórdia, só pela palavra de duas ou três testemunhas. De quanto maior castigo cuidais vós será julgado merecedor aquele que pisar o Filho de Deus, e tiver por profano o sangue do concerto com que foi santificado, e ultrajar ao Espírito da graça? Porque bem conhecemos aquele que disse: Minha é a vingança, eu darei a recompensa, diz o Senhor. E outra vez: O Senhor julgará o seu povo. Horrenda coisa é cair nas mãos do Deus vivo " (Heb. 10:26-31). Estas palavras são também elas dirigidas a todos nós que cremos porque o próprio escritor que era um crente se inclui dizendo: "Se pecarmos voluntariamente, depois de termos recebido o conhecimento da verdade.." (Heb. 10:26) (nós filhos de Deus recebemos o conhecimento da verdade), e porque nós somos os que foram santificados com o sangue do concerto. Portanto irmãos, se os que conheceram a verdade que está em Cristo Jesus, pecam voluntariamente, isto é, se pecam para morte, eles cometem um pecado que não lhes poderá ser perdoado (pecado que paga ao transgressor com a morte eterna), e para eles não restará mais alguma esperança de serem salvos porque perderão a boa esperança que têm; aquilo que restará para eles será só a expectação horrível do juízo de Deus. Eles serão julgados dignos de receber um castigo pior do que aquele que recebiam os que transgrediam a lei de Moisés e que eram condenados à morte, porque pisarão o Filho de Deus, tendo por profano o sangue de Cristo com o qual foram aspergidos e ultrajarão o Espírito da graça, isto é, o Espirito Santo que está nos nossos corações e por meio do qual clamamos: Aba! Pai!; (recordai-vos que Jesus disse: “Qualquer, porém, que blasfemar contra o Espírito Santo, nunca obterá perdão, mas será réu do eterno juízo” [Mar. 3:29]).

A possibilidade de arrependimento que tem quem comete um pecado que não é para a morte

Devo dizer que tanto a expressão "e recaíram" (Heb. 6:6) como aquela "se pecarmos voluntariamente" (Heb. 10:26) fazem referência ao pecado para a morte e não a qualquer pecado porque doutra forma isso significaria que para uma qualquer violação da lei seria impossível, para quem a comete, arrepender-se dela e obter o perdão dela e que não haveria mais alguma esperança para ele porque é condenado ao fogo eterno. Demonstro-vos como é possível levar a arrependimento um irmão que comete um pecado que não é para morte e como nós podemos obter a remissão de todos os pecados (excepto o pecado para morte) com as seguintes Escrituras:

Ÿ Paulo aos Gálatas escreveu: "Irmãos, se um homem chegar a ser surpreendido em algum delito, vós que sois espirituais corrigi o tal com espírito de mansidão" (Gal. 6:1). Um crente que comete um pecado que não é para morte pode ser corrigido, portanto também perdoado. O apóstolo quando diz: "em algum delito" (Gal. 6:1) não  inclui lá também o pecado para a morte porque quem cai cometendo este pecado não pode mais ser corrigido de nenhuma maneira porque é impossível renová-lo de novo para arrependimento. É verdade que "sete vezes cairá o justo, e se levantará" (Prov. 24:16), mas também é verdade que se o justo cai cometendo o pecado para morte jamais poderá levantar-se.

Ÿ Jesus disse: "Olhai por vós mesmos. E, se teu irmão pecar contra ti, repreende-o, e, se ele se arrepender, perdoa-lhe. E, se pecar contra ti sete vezes no dia, e sete vezes no dia vier ter contigo, dizendo: Arrependo-me; perdoa-lhe" (Lucas 17:3,4). Um irmão que comete um pecado que não é para morte pode arrepender-se e ser perdoado. A Escritura não diz: ‘Se o teu irmão peca para morte repreende-o’, porque para quem comete o pecado que é para a morte não há mais a possibilidade de arrependimento e portanto é inútil repreende-lo como também é inútil orar por ele.

Ÿ João diz: "Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda a injustiça. Se dissermos que não pecamos, fazemo-lo mentiroso, e a sua palavra não está em nós" (1João 1:9,10). Nós podemos confessar os nossos pecados ao Senhor com a certeza que eles nos serão perdoados. Se todos os pecados fossem para morte nós não teriamos nenhuma saída irmãos e a Escritura seria anulada porque nós não poderiamos também confessá-los a Deus para dele obter a remissão; nós não poderiamos dizer a Deus: "Perdoa-nos as nossas dívidas" (Mat 6:12) o que equivalaria a dizer que o Senhor nos enganou. O pecado para morte não tem remissão eternamente, por isso não se pode incluir entre os outros pecados que se podem confessar e que podem ser lavados com o sangue de Jesus Cristo; tende isto sempre presente.

Ÿ Tiago diz: "Irmãos, se algum de entre vós se tem desviado da verdade, e alguém o converter, saiba que aquele que fizer converter do erro do seu caminho um pecador, salvará da morte uma alma, e cobrirá uma multidão de pecados" (Tiago 5:19,20). Das palavras do apóstolo Tiago se percebe que se um irmão se desvia da verdade pode ser convertido, por isso pode ainda arrepender-se. Portanto não se pode dizer que se alguém se desvia da verdade, seguindo alguma estranha doutrina, cometeu o pecado para morte e não pode mais arrepender-se, porque Tiago admite a possibilidade que ele possa ser salvo do erro do seu caminho e que os seus pecados lhe sejam perdoados. O ponto que queria sublinhar é que enquanto é possível levar a arrependimento um irmão que se desvia da verdade isso não é possível fazê-lo com quem comete o pecado para morte.

Também Paulo admite a possibilidade de alguém que se desvia da verdade poder ser levado a arrependimento, de facto depois de ter dito a Timóteo que entre aqueles que se tinham desviado da verdade estavam Himeneu e Fileto que diziam que a ressurreição já tinha acontecido, disse-lhe: "E ao servo do Senhor não convém contender, mas sim ser manso para com todos, apto para ensinar, sofredor, instruindo com mansidão os que resistem, a ver se porventura Deus lhes dará arrependimento para conhecerem a verdade, e tornarem a despertar, desprendendo-se dos laços do diabo, em que à vontade dele estão presos" (2 Tim. 2:24-26). Como podeis ver Paulo afirma que o servo do Senhor deve instruir com mansidão aqueles que resistem à verdade (resistem porque se desviaram dela) porque pode acontecer que Deus lhes deia o arrependimento e o conhecimento da verdade e sair assim do laço do diabo no qual cairam. Isto ao invés não pode acontecer no caso de um crente cometer o pecado que é para morte porque é impossível outra vez renová-lo para arrependimento.

Ÿ Jesus Cristo disse ao anjo da igreja de Tiatira: "Mas tenho contra ti que toleras Jazabel, mulher que se diz profetisa, ensinar e enganar os meus servos, para que se prostituam e comam dos sacrifícios da idolatria. E dei-lhe tempo para que se arrependesse da sua prostituição; e não se arrependeu. Eis que a porei numa cama, e sobre os que adulteram com ela virá grande tribulação, se não se arrependerem das suas obras. E ferirei de morte a seus filhos, e todas as igrejas saberão que eu sou aquele que sonda as mentes e os corações" (Ap. 2:20-23).

Na igreja de Tiatira havia uma mulher de nome Jazabel que seduzia os servos de Cristo Jesus para que estes cometessem adultério com ela e para que comessem coisas sacrificadas aos ídolos (coisas condenadas pela lei e que são pecado). O Senhor fez então saber ao anjo da igreja de Tiatira que Ele tinha dado tempo a esta mulher para arrepender-se mas ela não queria arrepender-se e por isso a puniria pondo-a numa cama, um leito de dores e ferindo de morte os seus filhos; o Senhor lhe disse que também os seus servos seriam por ele punidos severamente se eles não se arrependessem das obras daquela mulher. É claro que se Jazabel e aqueles servos de Jesus Cristo que tinham sido  por ela seduzidos a fazer aquelas más obras tivessem cometido o pecado que é para morte o Senhor não lhes daria tempo para se arrependerem porque seria contraditório dado que sabemos que é impossivel levar de novo a arrependimento os que pecam para morte. Também neste caso, embora estes tenham cometido pecados, também permanecia para eles a possibilidade de arrependerem-se e de obter a remissão dos seus pecados.

Ÿ Paulo escreveu aos Coríntios: "Porque receio que, quando chegar, vos não ache como eu quereria, e eu seja achado de vós como não quereríeis; que de alguma maneira haja pendências, invejas, iras, porfias, detrações, mexericos, orgulhos, tumultos; que, quando for outra vez, o meu Deus me humilhe para convosco, e chore por muitos daqueles que dantes pecaram, e não se arrependeram da imundícia, e fornicação, e desonestidade que cometeram " (2 Cor. 12:20,21). Na igreja de Corinto haviam alguns que se tinham dado à imundícia, à fornicação e à desonestidade, que são todas obras da carne, e Paulo receava que quando voltasse aos Coríntios teria que punir e julgar os que não se tinham arrependido destes seus pecados. Mas estes não se tinham arrependido daqueles pecados não porque tinham cometido o pecado que é para morte e era impossível levá-los de novo a arrependimento, mas porque eles mesmos não se quiseram arrepender. Também neste caso vemos como o Senhor dá um tempo para arrependimento dos pecados e que no fim deste tempo se vê que não vem o arrependimento pune.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

COMO É A SUA VIDA???






















Que tal escolher agora o seu caminho, Jesus está te esperando, venha para ele e grandes transformações irão ocorrer na sua vida...